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Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que o câncer do colo do útero é o terceiro mais frequente entre mulheres brasileiras e a quarta causa de morte pela doença. Estes dados são alarmantes uma vez que o câncer de colo do útero pode ser prevenido por meio de testes de rastreio e da vacinação contra seu principal fator causal, Papillomavirus humano (HPV).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o exame de rastreio para a prevenção do câncer de colo de útero seja o teste de detecção molecular de HPV oncogênico, que é muito mais sensível e específico que o exame de Papanicolaou.

Atualmente no Brasil, o exame de Papanicolaou é o método disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o rastreio. Porém, muito recentemente (18 de agosto de 2025), foi aprovada e publicada uma Nova Diretriz Nacional de Rastreamento do Câncer de Colo do Útero por meio da PORTARIA CONJUNTA SAES/SECTICS Nº 13, DE 29 DE JULHO DE 2025, intitulada:  Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero: Parte I – Rastreamento organizado utilizando testes moleculares para detecção de DNA-HPV Oncogênico. Esta atualização considera a Portaria SECTICS/MS nº 3/2024, referente à incorporação, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), dos testes moleculares para detecção de HPV oncogênico, por técnica de amplificação de ácido nucléico baseada em PCR, com genotipagem parcial ou estendida, validados analítica e clinicamente segundo critérios internacionais para o rastreamento do câncer do colo do útero em população de risco padrão e conforme as Diretrizes do Ministério da Saúde.

Desta forma, a expectativa é a de que o exame de Papanicolaou vá sendo substituído, gradativamente, por testes moleculares para detecção de HPV oncogênico, por técnica de amplificação de ácido nucléico baseada em PCR. Esta mudança oportuniza a possibilidade de autocoleta de amostras, o que pode aumentar a adesão de mulheres resistentes à coleta realizada por profissionais da saúde, bem como de mulheres de grupos vulneráveis, que não participam do rastreamento por falta de acesso ou por outras barreiras estruturais e pessoais. 

Neste contexto, a Rede Previna-se surge desenvolvendo projetos em nível nacional, que estudam a autocoleta vaginal para teste de HPV oncogênico no combate ao câncer de colo de útero. Esses estudos foram e são de extrema importância para avaliar a questão e na proposição dessa nova diretriz e de novas políticas públicas, levando a melhorias nos exames preventivos de câncer de colo de útero para mulheres brasileiras.

As pesquisas coordenadas pela professora Dra. Marcia Edilaine Lopes Consolaro desde 2013, da Universidade Estadual de Maringá, envolvem pesquisadores das cinco regiões brasileiras: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, com a participação das cidades de Maringá – Paraná, Manaus – Amazonas, Natal – Rio Grande do Norte, Goiânia – Goiás, Ouro Preto – Minas Gerais, Dourados – Mato Grosso do Sul e Recife – Pernambuco.